Copa Africana das Nações

9 01 2010

Angola está a albergar a Copa Africana das Nações, uma espécie de prévia da copa do mundo só com países africanos. Os jogos começam dia 11 e o país fez um enorme movimento para deixar tudo com condições mínimas da coisa acontecer.

Aí, antes de começarem os jogos, uma delegação do Togo que resolveu viajar do Congo para Cabinda de busão, foi atacada por um grupo separatista. Um motorista morreu e alguns jogadores ficaram feridos, conforme mostrou essa matéria da BBC Brasil ou essa da BBC gringa. . É triste que isso tenha ocorrido, né? Vai dar a maior repercussão negativa, e não é pra menos…

Cabinda é um enclave no norte de Angola e tem uns grupos separatistas que querem autonomia. A região concentra boa parte da produção petrolífera.

Fui olhar, só por curiosidade, o que a Angop e o Jornal de Angola, os órgãos oficiais do governo angolano e a principal fonte de informação escrita da população, sobre o ocorrido. Infelizmente, quase nenhum destaque. Só uma nota na Angop quem estava na home dizendo que o ministro dos esportes sente muito a ocorrência do atentado e que o campeonato continuará acontecendo. No Jornal de Angola, nada. No Jornal O País, de um grupo privado, também nada. Eu realmente espero que apenas essas redações não tenham plantão e já tenham fechado expediente quando essa triste notícia começou a ser veiculada pelo mundo.





Internet grátis em Cabo Verde

16 12 2009

Matéria bem interessante da TV Brasil sobre internet wifi grátis nas praças públicas na Cidade da Praia, em Cabo Verde. Vale a pena espiar





Ouvi dizer que…

1 12 2009

….

Outro dia, uma pessoa que esteve em Luanda por um período curtíssimo de tempo (talvez isso nem seja ir — passar um dia e uma noite é estar num lugar?) disse para uma outra pessoa que ficou horrorizada com a pobreza lá. Disse que ouviu dizer que não há cachorros nas ruas porque as pessoas são tão pobres que comem os cachorros.

Será que dá para ver cachorros na rua em um dia e uma noite? Será que dá para acreditar em tudo o que dizem? Será que não dá para desconfiar nem um pouco da palavra dos outros?

Essa gente é engraçada mesmo. Que história mais absurda, viu?

 





A filha do mais velho

30 11 2009

O  jornal O Público fez uma matéria interessante sobre os negócios da filha do presidente de Angola. Ela tem tanta coisa.

Ela é dona de banco, de empresa de telefonia, de outro banco, da empresa de lixo e é casada com um milionário congolês.

A matéria está aqui para quem quiser saber mais.





Luanda Suave e Frenética

22 11 2009

Está sendo incrível a passagem do projeto Luanda Suave e Frenética por Salvador.

Na cidade mais negra do Brasil que evoca a africanidade por meio dos escravos, da capoeira e do berimbau, está sendo chocante uma expoisção de arte contemporânea + concerto de uma banda angolana que não tem nenhum batuque, mas sim guitarras, baixos, bateria e voz econômica.





Arte africana contemporânea em Salvador

18 11 2009

Na próxima sexta-feira, dia 20, será inaugurada a exposição de arte contemporânea angolana Luanda Smotth and Rave, como vocês já viram no convite aí em cima.

A exposição é organizada pela Fundação Sindika Dokolo, que também é responsável pela realização da Trienal da Luanda, um projeto incrível cuja segunda edição será em Setembro. Nessa matéria da Folha que eu reproduzi no meu blog explica um pouco melhor do que se trata.

Na sexta, a banda angolana Next também vai se apresentar. Eu fui apresentada à Next quando morava lá em Luanda, num dia que saí do fecho tarde e estressada e fui parar no Chá de Caxinde, um teatro lindo dos tempos dos tugas, ver esse show incrível. Foi uma ótima surpresa. Saí adorando a banda. Depois vi mais algumas apresentações e ensaios da Next lá.  Depois de Salvador, a banda vai gravar um CD aqui em São Paulo. Sério, todo mundo tem que escutar esse som lindo, globalizado, africano, cosmopolita, emocionante.

A Tás a Ver foi contratada para ir a Salvador bloguear, fotografar, entrevistar, comentar, filmar e contar um pouco de todo esse movimento. Legal, né? Em breve anunciamos mais detalhes.





Campanha homofóbica no Uganda

12 11 2009

Em África o homossexualismo é algo bem mal recebido e pouco discutido. Em Angola, onde eu já morei, é tudo disfarçado e há bué de preconceitos. Li A Arma da Casa, da sulafricana ganhadora do Prêmio Nobel Nadine Gordimer, cujo filho dos protagonistas era gay e vivia numa república com outros homossexuais e vi que o assunto não era bem resolvido por lá. Na verdade, onde esse assunto é tão natural assim? Em poucos lugares.

As origens dessas questões são complexas e não da pra falar disso assim, tão casualmente. Então eu vou mostrar essa matéria sobre o Uganda, onde, infelizmente, estão tentando aprovar uma lei super homofóbica. Tá aqui.

 





Quando tudo está por fazer

9 11 2009

O sentimento de que há quase tudo para se fazer é uma das principais sensações que eu acho que quem vive num país que tem menos de quatro décadas sente. Essa sensação é, ora boa — pois o trabalho de uma pessoa pode fzer bem mais sentido e ser muito mais singificativo do que num lugar em qut tudo já está acertador, ora desanimadora — pois tudo ainda está meio fora do lugar.

Eu não faço parte dessa realidade, mas vivi em Angola e sempre me impressionava com a intensidade das transformações das coisas e com a energia concentrada que havia em Luand. E sempre gostava muito dessa sensação.

Hoje li um artigo no Novo Jornal (de Angola) sobre a independência de 11 de nevembro de 1975 que acho que tem a ver com isso.

 

Uma geração sem rumo

Quando foi proposto na reunião do conselho de redacção o tema “Geração pós 11 de Novembro”, confesso que senti de imediato uma grande afinidade com otema. Uma oportunidade única para falar dos meus anseios, receios e desilusões, e mesmo decepções. Afinal, faço parte desta geração, que trinta e quatro anos após Angola se tornar um país independente, constata que muitas das metas estabelecidas estão longe de se concretizar. Nasci no longínquo ano de 1978, portanto, quase três anos após Manguxi ter declarado Angola um Estado Independente e Soberano.

Posso dizer que ainda apanhei a euforia de um país acabado de nascer. Cresci com o sentimento de fazer parte de uma sociedade com um futuro brilhante e com muito para dar e,como tal, teria de me esforçar o máximo para integrar um grande projecto que se chama Angola. O tempo passou e com ele grande parte dos sonhos deste grande projecto.
Nós, os nascidos após o 11 de Novembro de 1975, crescemos a ouvir histórias bonitas de um tempo que não vivemos, de uma vitória alcançada pelo povo angolano e que teve como missão principal tirar o país das mãos dos algozes e devolvê-los aos verdadeiros donos da terra, e isto obrigava a sacrifício da parte do povo. Lembro-me como se fosse hoje dos comícios que nós “pioneiros angolanos”, reunidos em torno de uma organização de cariz patriota tínhamos de estar cedo nas escolas, numa amostra de disciplina, com os nossos fardamentos impecavelmente engomados pelas nossas mães, porque tínhamos de estar irrepreensíveis no dia seguinte para o comício no 1º de Maio, onde eram festejadas as efemérides.

Naqueles tempos os comícios eram muito concorridos, era bonito de se ver, estávamos todos empenhados em fazer o melhor. Quão orgulhosos ficávamos, apesar dos nossos tenros seis, sete anos, de bandeira em punho a desfilar junto ao palanque, entoando músicas de propaganda, e driblando os passos ensaiados no pátio da escola. No final chegava a recompensa: pão com salsicha e sumo.

Era o suficiente para mostrarmos um sorriso largo, afinal não era qualquer um que comia pão com salsicha e bebia sumo importado, naquele tempo. Esses tempos que já passaram trazem consigo ainda a lembrança de um tempo onde a organização e o respeito pelos mais velhos faziam parte do projecto de uma Angola nova. Estavam a ser criados como homens novos para um país acabado de nascer, tal qual Augusto Ngangula, o menino que preferiu a morte a mostrar onde ficava a base guerrilheira do MPLA. Que orgulho nós tínhamos por termos nascido neste grande e maravilhoso país.
Hoje, esta geração que cresceu na esperança de um futuro melhor está completamente decepcionada e triste com o rumo que este grande projecto tomou. Sobre os valores que nortearam esta data importante para o povo angolano poucos se lembram, e uns preferem não lembrar. Hoje vejo com tristeza no rosto de jovens da minha geração a desi-
lusão com o rumo que as coisas tomaram, e nos mais velhos o saudosismo de um tempo em que não eram donos do seu próprio destino. O projecto de um homem novo foi engavetado, e a juventude anda à deriva.
Como filha de um patriota que dedicou grande parte da sua vida às lutas pela independência deste grande país, tive ou tenho a felicidade de conhecer as linhas com que foram traçadas a independência de Angola, e os sacrifícios que foram feitos por este povo mártir para que fosse possível obter a liberdade tão ansiada. O 11 de Novembro de 1975 que deveria significar o orgulho para nós, lembra-nos hoje um projecto que começou bem, mas que a dada altura se perdeu

e que tem trazido graves consequências para o país. O projecto se perdeu e com ele os seus valores. Parece não interessar a ninguém hoje que os jovens tenham o 11 de Novembro como uma data de referência, pois a bagagem que têm sobre o que significou este dia é mesmo nula. Quem são os culpados, quem, assume a culpa? Parece que afinal somos mesmo uma geração à rasca.
ANA MARGOSO





Glamour nas bancas

4 11 2009

O NYT publicou uma matéria interessante, que foi traduzida e veiculada na Folha, sobre o surgimento de revistas de moda no continente africano.

Em Angola, onde eu já vivi, a moda é assunto sério. Os angolanos, dos mais ricos aos mais pobres, em geral são muitíssimos vaidosos, vestem-se mesmo bem. As camisas sempre combinam com os sapatos e com a maquiagem. Blusa amarela, bolsa amarela, sapato amarelo. Muita cor, muitos laços, muito verniz, muito bom gosto. Fatos bem cortados para os homens. Gravatas meio curtas, meio retrôs. Formalidade. La não pode entrar em prédio público de braço de fora e os homens usam camisa e gravata, mesmo para ir trabalhar na redação, que é informal.

Quando voltei ao Brasil fiquei com saudade daquele bom gosto todo. Aqui as pessoas são mais displiscentes com a aparência. Inclusive eu. Achava engraçado que sempre quando eu resolvia usar meu sapato de verniz e uma camisa bonita, muita gente comentava como a Juliana estava bonita.

Bom, eis a matéria do NYTimes. Em Angola tem uma revista de moda e comportamento chamada Chocolate.

Glamour nas bancas almeja a elite africana

Por ROBB YOUNG

A África subsaariana não evoca a imagem de uma mulher com unhas perfeitamente cuidadas folheando revistas de luxo em busca da última bolsa ou dos cortes de cabelo das celebridades. Mas essas mulheres existem, e em número muito maior do que pode sugerir a imagem da África pintada na mídia noticiosa.
Nos bairros ricos de cidades como Lagos, na Nigéria; Nairóbi, no Quênia; Luanda, em Angola; e Dacar, no Senegal, senhoras abastadas, empresários de sucesso ou donas de casa de renda média formam um grupo demográfico interessante, que no passado dependia das revistas de moda internacionais para se informar sobre estilo e beleza.
Mas, nos últimos anos, enquanto editoras americanas se expandiram para a Ásia, a Europa oriental e o Oriente Médio, um punhado de editoras africanas tratou de ocupar seu território editorial. Em consequência, surgiu uma série de novos títulos como “Arise”, “HauTe”, “Helm” e “True Love”, que dão uma visão africana da moda.
“Francamente, as leitoras africanas da camada mais rica e com mobilidade estão pedindo esse tipo de revista”, disse Helen Jennings, editora da “Arise”, publicação mensal de estilo lançada no final de 2008 pelo magnata da mídia nigeriana Nduka Obaigbena, também dono do principal jornal do país, “ThisDay”.
“Como as revistas locais não são tão requintadas ou progressistas, e nenhum outro título internacional fala diretamente ao público africano, a ‘Arise’ causou comoção.”
Entre as revistas na África de língua inglesa, somente a ‘Arise’ inclui conteúdo pan-africano e global —uma mistura que Jennings chama de “afropolitana”.
Com uma circulação declarada de cerca de 60 mil e 140 páginas por mês em média, a revista é distribuída em sete outros países africanos e na Europa e América do Norte. Em seus editoriais de moda, em que não se poupam recursos, roupas de estilistas africanos aparecem ao lado de marcas globais como Yves Saint Laurent, Loewe e Ralph Lauren, usando famosas modelos negras internacionais como Oluchi Onweagba e Rahma Mohamed.
Entrevistas com celebridades negras, como os cantores e compositores Akon e V.V. Brown, atraem os anunciantes globais. Tommy Hilfiger, Juicy Couture, Graff, L’Oréal e Lacoste estão representados nas páginas da revista. E seu prestígio ajudou a atrair anúncios de marcas de moda baseadas em Nigéria, Gana e Tanzânia.
Mas em “Arise” o glamour e a celebridade são temperados por um olhar para o underground e um apreço pela reportagem irreverente. Uma edição recente incluiu uma narrativa apimentada sobre as WAGs (sigla britânica para as mulheres e namoradas de jogadores de futebol) africanas, que apareceu juntamente com artigos sobre skatistas de Uganda, um prodígio da multimídia da Costa do Marfim e a subcultura dos motoqueiros vestidos de couro que surgiu na África do Sul pós-apartheid.
O setor editorial africano progrediu nas últimas décadas, mas persistem obstáculos para o sucesso, como o isolamento de parceiros comerciais importantes e a rede de distribuição subdesenvolvida.
Enquanto o apoio de um financista pode ser suficiente para lançar uma revista, vários fatores, incluindo o tamanho do mercado, a alfabetização e a riqueza, são necessários para sustentá-la. A maioria das estatísticas da África subsaariana nessas categorias é pobre, mas às vezes não revela o verdadeiro potencial.
O índice de alfabetização é baixo em muitos países subsaarianos, mas partes da população com renda suficiente para comprar revistas têm índices de alfabetização muito melhores que as médias nacionais. O índice da Nigéria é superior a 70%, e o do Quênia fica acima de 80%; ambos se tornaram centros editoriais regionais.
“Na maioria dos países da África subsaariana, somente 5% a 10% da população estão no topo da pirâmide de renda”, disse Sakina Balde, analista da firma de pesquisas de mercado Euromonitor International. “Embora isso possa parecer insignificante, nos países de grande população como a Nigéria, por exemplo, representa um grande número de indivíduos.”





Os tamanhos das famílias

4 11 2009

A Economist fez uma matéria de capa sobre a queda no número de filhos das famílias do mundo todo e que consequências isso está trazendo. A reportagem tem vários dados interessantes. E tem uma parte que eu to achando bem engraçada. São os ingleses especulando sobre por que famílias muito pobres têm mais filhos. Eles contam isso como se fosse a maior novidade. Como lá já fz mtas décadas que as pessoas têm mais dinheiro e fazem poucos filhos, é novidade dizer que na roça, quanto mais braço trabalhando, melhor.

To understand why wealthy people differ from well-fed animals, imagine yourself a dirt-poor (male) peasant 50 years ago. Your fields are in the middle of nowhere. Your village has no school, hospital or government services, certainly no pensions. Few goods come into it from outside, though disease is rampant and security fragile. Ploughing and reaping are done by hand. But if the harvest is normal, you usually have enough to go round. In these circumstances, the benefit of an extra pair of hands to gather the harvest outweighs the cost of feeding an extra mouth (which anyway falls on your wife more than you). And when you can no longer work in the fields, your children will be the only ones to look after you. In such a society, all the incentives point to having large families.

Now imagine you are a bit richer. You may have moved to a town, or your village may have grown. Schools, markets and factories are within reach. And suddenly, the incentives change. A tractor can gather the harvest better than children. Your wife may get a factory job—and now her lost wages must be set against the benefits of another baby. Education, thrift and a stake in the future become more important, and these middle-class virtues go hand in hand with smaller families. Education costs money, so you may not be able to afford a large family. Perhaps the state provides a pension and you no longer need children to look after you. And perhaps your wife is no longer willing to bear endless offspring. Higher living standards, better communications and more education enable you to rely on markets and public services, not just yourself and your family.